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1º de Julho de 1988
O verão de meu 11º ano em Arklay estava apenas começando.
Eu já tinha 28 anos.
Birkin se tornara pai e já tinha uma filha de 2 anos de idade.
Sua esposa era uma das pesquisadoras que trabalhavam em Arklay.
Você normalmente pensaria que é difícil entender alguém que quer
se casar e criar uma criança, enquanto fazia a pesquisa.
Mas já havia sido dito que apenas pessoas "não-normais"
continuaram a fazer pesquisa em Arklay.
Apenas os malucos tiveram progressos lá.
E então, depois de 10 longos anos, nossa pesquisa finalmente
atingiu o terceiro estágio.
Criar uma arma biológica viva que fosse um soldado que seguisse
ordens estritas, obedecesse à programação, e tivesse
inteligência.
Foi o então chamado "Tyrant" (Tirano), basicamente um monstro,
que começamos a criar.
No entanto, havia um obstáculo maior em nossa pesquisa, naquele
momento. Encontrar o corpo básico para o "Tyrant".
O maior problema era que corpos adequados para o Tyrant eram,
naquele momento, geneticamente muito limitados.
A fonte do problema estava na natureza do T-Virus.
A mutação do T-Virus usada para criar "zumbis" e "hunters" podia
ser usada em qualquer ser humano, mas isso também causaria uma
deterioração na capacidade cerebral do indivíduo.
Se o indivíduo não tivesse uma certa quantidade de
"inteligência", então não poderia funcionar como um Tyrant.
Birkin tentou resolver o problema pegando novos mutagenes que
diminuiriam o "estrago no cérebro do indivíduo" até que se
encaixasse no "Perfil Tyrant".
Contudo, o número de pessoas que tinham genética "adequada" para
aceitar as células Tyrant era muito limitado.
Em uma simulação de análise genética, descobriu-se que 1 em um
milhão tem a composição genética para se tornar um "Tyrant",
qualquer outra pessoa meramente se tornaria um zumbi normal.
Se tivéssemos continuado nossa pesquisa, tenho certeza que
teríamos encontrado um jeito de fazer um tipo diferente de
T-Virus que pudesse transformar mais pessoas em "Tyrants".
Mas para fazer esta pesquisa, primeiramente precisávamos de
pessoas que fossem perfeitamente adequadas para a nova mutação.
Porém, as nossas chances de conseguir uma dessas poucas pessoas,
vivendo na América, que se encaixassem no perfil, eram
extremamente baixas.
No final, a única coisa que conseguimos fazer foi, à força,
trazer uns poucos "tipos próximos" de outros laboratórios.
Mesmo antes de termos a chance de começar nossa pesquisa,
parecia que já havíamos chegado a um obstáculo.
Naquele momento, ouvi um boato de outro local na Europa onde já
haviam chegado ao "terceiro estágio" da produção de armas
biológicas vivas usando um método na qual ninguém havia pensado.
Era chamado de "Plano Nemesis".
Para mudar o estagnado ritmo e as condições de trabalho, eu me
adiantei em adquirir uma amostra de um dos indivíduos daquele
"plano".
É claro que Birkin primeiramente foi contra mim, mas no final eu
consegui fazer com que ele reconsiderasse.
Todos não tinham outra escolha, a não ser reconhecer o fato de
que, até que encontrássemos um indivíduo adequado ao "Tyrant"
nossa pesquisa não iria a lugar algum.
O "pacote" da Europa chegou à meia-noite, vários dias depois,
depois de uma série de contatos, propostas e contra-propostas.
A caixa que continha "ele" pousou no heliporto.
Estava escrito "Protótipo Nemesis" nela.
Eu tive que usar táticas muito fortes para conseguir a "coisa"
incompleta onde estava sendo pesquisada na França, mas durante
todo o tempo, Spencer estava me dando cobertura, mexendo seus
pauzinhos e usando sua influência.
Apenas Birkin não demonstrou interesse "nele" até o fim. Mas
pelo menos o reconheceu como uma parte importante do
experimento.
A amostra fora desenvolvida para criar uma "forma" totalmente
nova, nunca vista antes.
Ao manipular genes, eles haviam artificialmente criado um
"parasita vivo".
Era isso que o "Nemesis" realmente era.
Ele poderia se agarrar ao cérebro de outro organismo e então
tomar controle do cérebro do hospedeiro, deixando-o com um alto
nível de poder destrutivo.
Na combinação de inteligência com um corpo destrutivo adequado
para batalhas, eles conseguiram criar a arma biológica perfeita.
E se eles conseguissem completar o projeto, então seriam capazes
de criar "corpos belicosos" sem ter que se preocupar com a
questão da inteligência.
Entretanto, o problema era que o parasita contido "nele" não era
estável.
A única coisa escrita no documento anexado à amostra era "Falha
-- Amostra morta" várias e várias vezes.
Qualquer coisa que fosse infectada e cuja inteligência fosse
controlada morreria em 5 minutos.
Nós todos entendíamos que mexer no protótipo "incompleto" era
muito perigoso.
Se pudéssemos de alguma forma tentar aumentar a quantidade de
tempo que os hospedeiros viveriam, então poderíamos assumir o
projeto. Era nisso que eu estava focado.
É claro que "a" usaríamos como indivíduo de testes.
Com certeza, sua alta tolerância seria perfeita para sustentar o
parasita do Protótipo Nemesis por um longo tempo.
Mesmo se ela não durasse tanto, não estaríamos perdendo nada
especial, de qualquer forma.
No entanto, o experimento teve um resultado oposto ao que eu
estava esperando.
O parasita Nemesis que tentou entrar em seu cérebro
desaparecera.
A princípio, eu não sabia o que estava acontecendo.
Não conseguia acreditar que "ela" seria a única a se mesclar com
os genes do parasita sem morrer.
Isso foi o começo.
Em algum lugar dentro daquele corpo "imortal" dela houve alguma
mudança.
Tínhamos que examiná-la dos pés à cabeça mais uma vez.
Durante nossos 10 anos de pesquisa, ela fora totalmente e
completamente examinada, mas desta vez havíamos ignorado os
dados anteriores.
Em 21 anos em que ela esteve lá, pela primeira vez, algo estava
finalmente acontecendo.
Depois de ter sobrevivido mais tempo que os outros indivíduos
que receberam o Vírus Nemesis, foi Birkin quem começou a
perceber o que estava acontecendo.
Havia algo "nela".
Esse "algo" era um desvio do plano T-Virus.
Algo novo que abriu caminho para uma nova forma.
Algo que mudou nosso destino.
Esse era o começo do "Plano G-Virus".
(O relatório continua 7 anos depois) |