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31 de Dezembro de 1983
O inverno do meu sexto ano no Centro de Pesquisas Arklay.
Durante os últimos 2 anos, não houve resultados significantes e
o tempo parecia estagnadamente flutuar, mas depois de um longo
tempo, tivemos uma descoberta.
O que começou tudo isso foi um relatório que recebemos naquela
manhã.
A Alexia da Antártida havia morrido.
A causa de sua morte era que ela acidentalmente se infectara com
um vírus que ela mesma estava pesquisando. Era chamado de "Vírus
T-Veronica".
Alexia tinha 12 anos. Parece que ela era jovem demais para
conduzir experimentos tão perigosos.
Havia muitos rumores a serem ouvidos. Um em particular sugeria
que ela mesma havia injetado o "T-Veronica" em seu próprio
corpo. Mas não importam as circunstâncias, eu acho essa "teoria
em particular" nada plausível.
Provavelmente ela estava tão chocada com o desaparecimento de
seu pai um ano antes que cometeu um erro no experimento.
Depois disso, o último parente vivo consangüíneo de Alexia, seu
irmão gêmeo que trabalhava no Centro de Pesquisas da Antártida,
veio buscar seu trabalho de onde ela havia parado. Mas ninguém
tinha expectativas sobre ele.
No fim, a família "Ashford" estava basicamente "morta"... sem
mesmo conseguir um único avanço no experimento.
Era exatamente o que eu pensava. Uma lenda é, no fim das contas,
nada mais do que... uma lenda.
Depois da notícia da morte de Alexia, Birkin mudou. Ou acho que
poderia dizer que voltou ao seu estado normal.
Mas acho que o importante era que agora todos os subordinados
não tinham outra escolha, senão aceitá-lo como o pesquisador
principal. Desde então, não havia ninguém que pudesse
ultrapassar seus talentos.
Porém, com isso, tornou-se um "tabu" para qualquer um falar de
Alexia na frente dele.
Ele ferozmente se opôs a mim quando planejei pegar uma amostra
do Vírus T-Veronica.
Eu não tinha outra escolha, senão pesquisar sobre a verdade da
pesquisa de Alexia pelas costas dele.
No fim, mesmo com a situação a seu favor, o próprio Birkin
falhara no crescimento e avanço de sua pesquisa.
Contudo, naquele momento, eu estava mais preocupado com outra
coisa.
O Centro de Pesquisas Arklay era cercado por uma densa floresta.
Eu, algumas vezes, fiz caminhadas pela floresta, mas como o
centro era localizado em uma região montanhosa, nunca se
encontrava ninguém nas redondezas.
O único método de transporte era o helicóptero. E o centro não
era o exatamente o tipo de local que as pessoas iam visitar.
Uma razão importante para o fato de o centro ser localizado em
uma região tão isolada era para evitar que o vírus corresse caso
houvesse um "vazamento".
No entanto, "armas biológicas" não são assim tão simples.
"Vírus" não infectam somente humanos. Eles podem infectar
"outras" coisas também.
Qualquer vírus geralmente é capaz de contaminar mais de um
hospedeiro.
Por exemplo, o número de espécimes que o comum "vírus influenza"
(a gripe comum) é reconhecido por infectar são pássaros, porcos,
cavalos, focas e humanos.
E se um vírus mutar, então os tipos e números de hospedeiros que
ele afeta mudam.
Portanto, é impossível criar um vírus capaz de contaminar tudo.
E esse era o maior problema - tentar adaptar o T-Virus para que
contaminasse "tudo" com a qual entrasse em contato.
Depois que Birkin se tornara inútil, eu comecei a investigar
sobre a taxa de infecção expansiva do T-Virus.
Foi quando eu descobri o fato de que o T-Virus podia infectar
quase todos os tipos de seres vivos.
Não apenas animais, mas plantas, insetos, peixes - quase todas
as espécies. O vírus tinha o poder de expandir e dispersar por
todo o planeta.
Toda vez que eu saía do centro para fazer uma caminhada na
floresta, sempre pensava comigo...
Por que Spencer escolhera este lugar?
Porque há muitos tipos diferentes de espécies concentradas na
floresta.
Se o vírus escapar, então o que aconteceria com um lugar onde há
tantos tipos de seres vivos presentes?
No caso dos insetos, eles são pequenos, então não se poderia
pensar neles como "perigosos", mesmo sendo portadores
secundários do vírus.
Porém, insetos geralmente vivem na coletividade, e este grande
número deles os torna "portadores" muito perigosos, de fato.
Se eles eram portadores, então o quanto o vírus se espalharia?
Se uma planta fosse portadora, então, já que não pode se
locomover, não se poderia esperar que ela infectasse muitas
pessoas.
Mas e quanto ao "pólen" que vem das plantas?
Considerando os fatores, o centro era um local extremamente
perigoso para se conduzir uma "pesquisa viral".
E se for realmente pensar sobre isso, a localização do Centro de
Pesquisas da Antártida dos Ashford era uma opção muito mais
segura e óbvia.
Era quase como se este lugar tivesse sido especificamente
escolhido para o propósito de "espalhar" o vírus.
Mas eu simplesmente não consigo imaginar que seja realmente
isso.
O que Spencer está tentando conseguir de nós?
Esta era uma questão maior. Tão grande que eu não podia comentar
com outros pesquisadores.
No momento, a única pessoa com a qual eu sentia que podia ter
falado era o Birkin, mas é evidente que dizer a ele seria
inútil.
Eu precisava de mais informações.
Foi nesse momento que eu comecei a sentir as limitações de minha
posição como pesquisador.
Eu precisava chegar a uma posição que tivesse mais acesso a
informações que revelassem o verdadeiro objetivo de Spencer.
Eu não sentia qualquer remorso por jogar fora minha posição de
pesquisador para poder descobrir.
Mas não podia apressar as coisas. Porque se Spencer sequer
desconfiasse do que eu estava fazendo, então estaria tudo
arruinado.
Eu voltei a me concentrar na minha pesquisa e eram “negócios,
como sempre", assim não chamaria atenção para meus planos.
Durante este tempo, o indivíduo feminino de testes que
continuava sobrevivendo fora largado em um canto e esquecido.
Uma "coisa" viva.
Começamos a chamá-la assim depois de um tempo, quando ela parou
de render dados úteis para nós.
Pelo menos, até os próximos 5 anos...
(O registro continua 5 anos depois) |