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INTRODUÇÃO
A Bíblia dos Mortos é um documento redigido por Derek Aasland, coreógrafo de Resident Evil: Apocalypse e responsável pelo treinamento dos extras e atores que farão papel de zumbis no filme. Sendo um documento redigido para uso interno na produção e roubado do set onde o filme foi gravado, está incompleto e contém alguns spoilers, nada revelador, porém. Por medida de segurança, os documentos contam o mínimo possível, uma medida de segurança que impede o vazamento de detalhes importantes da trama. Diferentemente do primeiro filme, até agora essas medidas têm funcionado.
O texto revela toda a fisiologia do T-Virus, e demonstra um cuidados dos roteiristas em dar uma explicação plausível para todo o processo de estabelecimento do vírus no corpo humano, coisa que deve agradar àqueles fãs mais “pé no chão.” No primeiro filme, algumas coisas já haviam sido explicadas , porém nada com este nível de detalhamento. Até mesmo um pequeno glossário de biologia aparece no início do texto, o que pode assustar aqueles com trauma da escola, porém sua tradução não foi necessária, pois somente alguns termos estão presentes ao longo do texto (seus significados foram colocados entre parênteses) e sua compreensão é muito simples. Não se sabe como esta explicação será encaixada no filme, se é que será encaixada. Outra dúvida é se essa forma de evolução do vírus será considerada como “verdadeira” na cronologia da série, já que o roteiro está sob supervisão direta de Yoshiki Okamoto, ou se é mais uma das “viagens” de Alexander Witt e Paul Anderson.
Também é surpreendente o trabalho em definir a movimentação dos extras, algo que parece extremamente simples, na verdade é fruto de um estudo detalhado por parte dos coreógrafos, explicando detalhadamente o “comportamento” dos zumbis.
Espera-se que o alto nível deste texto não esteja presente somente no trabalho dos coreógrafos e sim em todos os aspectos da produção, cumprindo as expectativas de todos os fãs que idolatram Resident Evil.
 
 
TRADUÇÃO
A BÍBLIA DOS MORTOS
RESIDENT EVIL: APOCALYPSE
Compilado pelo Departamento Coreográfico
Por Derek Aasland
Coreógrafa: Sharon B. Moore
Designer/Técnico de Movimentos: Derek Aasland

Resident Evil: Apocalypse
Todo o império de Resident Evil, suas criaturas, personagens e a corporação diabólica têm sido construídos, até agora, em torno de um conceito único. Este conceito é o T-Virus. Também é conhecido no mundo de Resident Evil como Célula-T e é vagamente definido como uma toxina muta-gênica.
É originado a partir da verdadeira Célula-T, organismo encontrado no sistema imunológico.
As definições a seguir foram incluídas para auxiliar um olhar mais profundo na anatomia do sistema de produção da verdadeira Célula-T, cujas informações serão usadas como base para um vocabulário mais detalhado dos movimentos destas almas desgraçadas do mundo de RE que estão infectadas pelo T-Virus.
A idéia é estabelecer um ciclo de vida básico do T-Virus, de modo que os intérpretes e designers saibam que os Zumbis, ou aqueles se transformando em Zumbis, estarão no mesmo barco quanto à dramatização do T-Virus e seus efeitos no corpo. A idéia geral é que todos os intérpretes desenvolvam suas performances específicas baseadas nos mesmos parâmetros básicos do vírus.
[Mini dicionário de Biologia; tradução desnecessária. A explicação dos termos estarão entre parênteses durante o texto]


ESTUDO DA CIRCULAÇÃO
A maioria dos animais depende de um fluido circulante para transportar substâncias de uma parte a outra do corpo. Em vertebrados, esse fluido é o sangue, que carrega comida, sais, oxigênio, hormônios e células, moléculas do sistema imunológico a tecidos e remove produtos desnecessários; em virtude de seu grande volume e circulação rápida, regula até mesmo a temperatura das partes do corpo. O sangue consiste em um fluido aquoso semi-alcalino (plasma), que contém células vermelhas (eritrócitos), células brancas (leucócitos) e plaquetas; é vermelho quando oxigenado e roxo na ausência do mesmo. Células vermelhas do sangue carregam a proteína hemoglobina, que dá cor ao sangue e combina-se ao oxigênio, fazendo com que o sangue carregue-o dos pulmões aos tecidos. Dióxido de carbono é carregado na direção, em sua maioria como íons bicarbonato. Células brancas do sangue protegem o corpo da invasão de agentes externos (e.g. bactérias). Plaquetas e outros fatores presentes no plasma são responsáveis pela coagulação do sangue, prevenindo hemorragias.
Nosso T-Virus pode ser descrito como uma célula branca do sangue, psicótica e feita pelo homem, que nunca morre.
Parte do problema em contextualizar as qualidades do vírus para performance física é reconciliar o roteiro a uma lógica que justifique todas as manifestações virais presentes nele.
Analisando o roteiro somente com a lógica anatômica, percebe-se rapidamente que o roteirista está unindo dois sub-gêneros: horror científico e horror sobrenatural. A prerrogativa do roteirista é levantar os mortos de suas sepulturas sempre que achar necessário à história. Nossa responsabilidade é explicar COMO e POR QUÊ.
É um trabalho difícil, mas uma lógica bem construída trará mais rendimento para as visões do roteirista e do diretor. Quanto mais detalhado o trabalho, mais aterrorizante, bizarra e grotesca será sua visão, ao contrário de um elenco de centenas, improvisando, tendo como idéia de “Zumbi” estereótipos de filmes-B.

CONTRAINDO O T-VIRUS
O roteiro evita especificar um tempo de transformação em Zumbi para a grande maioria de personagens infectados, assim como para os extras. Isso nos dá liberdade para preparar as transformações, o que imagino tenha sido a intenção do roteirista.
Porém, parece que alguns se transformam em Zumbis instantaneamente, enquanto outros passam por um longo período de transformação/incubação. A velocidade de transformação, por motivos dramáticos e de suspense, corresponde ao tamanho do papel, mas como mencionado, o roteirista usa artifícios para maquiar esse fato do público.
O que desenvolvemos, então, foi um método pelo qual o T-Virus entraria no corpo, seria disseminado pelo mesmo e finalmente tomaria conta. Chamamos isso de transformação. Para o ator, a transformação ocorre no tempo necessário para acomodar o papel e, como mencionado, passará por certas etapas, um trabalho indefinido, deixando o ator livre para personalizar e detalhar os efeitos do T-Virus.
A seguir, a seqüência seguida pelo T-Virus:
Entrada do T-Virus no corpo através de qualquer meio: mordida, injeção, osmose, ingestão, etc.
O T-Virus vai do ponto de entrada às glândulas do sistema adrenal na parte superior dos rins, estabelecendo-se ali. Isso faz com que o T-Virus se espalhe por todo o corpo instantaneamente, como a adrenalina.
O propósito dessa infecção instantânea pelo corpo é exterminar o sistema imunológico do “hospedeiro”, as células-t (células do sistema imunológico), e desligar o sistema que os cria, o sistema linfático.
Feito isso, o T-Virus envia um time de extermínio do sistema adrenal à medula óssea, viajando pela mesma até o crânio, direito na glândula pineal.
A glândula pineal é dominada pelo T-Virus, e o resultado é um aumento de tamanho, seguido de um colapso fatal da glândula. O corpo do hospedeiro está morto.
O T-Virus, entretanto, estando estabelecido no corpo, ativa sua função única: a reanimação de células mortas. O T-Virus penetra nas células mortas e elas “retornam à vida”. Órgãos, compostos de grupos organizados de células, e o corpo, composto por grupos organizados de órgãos, retornam “à vida” agora como Zumbi. Este processo ocorre enquanto o corpo fica inerte por um período após a morte.
Também, durante o período de inércia, o que resta da glândula pineal transforma-se num novo centro de comando pelo qual o T-Virus monitora o corpo reanimado, o que justifica porque só um tiro na cabeça ou a quebra da coluna mata um Zumbi.
Na maioria dos casos, a vítima do ataque dos Zumbis é morta não pelo próprio T-Virus, mas pela violência do ataque inicial. Nesses casos, o corpo morto salta para o estágio inerte para reanimação.
A disseminação do T-Virus do ponto de inserção às glândulas adrenais pode ser caracterizada como um fluido frio movendo-se em direção aos rins, moderado pela tensão/relaxamento dos músculos, etc. de quaisquer extremidades e seções do corpo no caminho aos rins.
O domínio das glândulas adrenais pode ser representado por uma contração repentina na seção média do corpo (quadril até pescoço), como se uma corrente elétrica estivesse passando. Outra imagem conveniente seria um ataque epilético do pescoço ao quadril. Talvez choques pós-traumáticos possam ser encaixados.
As contrações da glândula adrenal são produzidas por tensão, uma vez que as glândulas são dominadas, a seção média pode passar por um período de relaxamento. Não é um relaxamento pacifico, é como uma parte do corpo que luta e cede totalmente a um invasor.
O T-Virus viajando pelo corpo pelo sistema adrenal pode ser caracterizado como um leve ritmo pulsante (as batidas do coração são o motor do sistema adrenal). Menos de duas batidas do coração seriam necessárias para que o T-Virus fosse bombeado praticamente por todo o corpo. A onda de movimentos rápidos do T-Virus pelo corpo através do sistema adrenal pode ter várias características. Uma queimadura química, um frio de matar, agulhas passando pelas vias sanguíneas, ferro quente, etc.
O T-Virus então envia um “time de extermínio” à medula óssea, ao crânio, diretamente à glândula pineal. Novamente, qualquer coisa pode ser imaginada para descrever como isto se pode sentir, e seus reflexos no corpo (e.g. uma sensação de choque, envenenamento, uma coceira pulsante, etc.). A velocidades em que viaja é de responsabilidade do autor, claro que seguindo as orientações do script.
A glândula pineal (localizada na extremidade superior da medula óssea/base do cérebro) é a próxima fase do cronograma de invasão do T-Virus. A glândula é cercada pelo vírus, que a penetra. A pressão aumenta enquanto a glândula é preenchida com células mutantes. Eventualmente, a membrana estoura, matando o hospedeiro. Essa explosão pode ser súbita e chocante, como uma pequena explosão no crânio; ou lenta e esgotante, como os últimos momentos de um balão se esvaziando. Os resultados podem ser a morte instantânea ou uma morte lenta precedida de inconsciência.
Uma vez que o corpo como um todo está morto, o T-Virus pode começar a reanimação das células do sangue, auxiliada pela morte celular por falta de circulação sanguínea com oxigênio. A glândula pineal mutada se torna o novo centro de comando para o Zumbi.
O T-Virus é pequeno o bastante para viajar pelo sistema adrenal, mas grande o bastante para possuir a habilidade e definição física para viajar da mesma forma por corpos vivos ou mortos.
É responsabilidade do ator “dar cor e sabor” ao processo de transformação. Tudo que foi explicado pode ser muito sutil, ou comente um aspecto pode ser amplificado, com os outros sendo somente sugeridos ou totalmente omitidos. Todo o processo pode ser extremamente sofrido e doloroso. Depende de você, seu personagem e suas escolhas para melhor contar uma história assustadora e cheia de ação.

SENDO UM ZUMBI
Temos uma abordagem diferente para os zumbis em Resident Evil: Apocalypse. Quando conduzimos nosso workshop Zumbi, fomos ordenados para criar um novo tipo de Zumbi. Em alguns casos, o próprio roteiro pede que os Zumbis se comportem de “UMA MANEIRA NUNCA ANTES VISTA.”
Então criamos o que chamamos carinhosamente de “Zumbi Zen” ou “Zumbi Líquido”. Este Zumbi tem certas características definidas.
É atraído pela vida, e pelos vivos, como um imã. Quer estar perto dos vivos, e uma vez próximo deles, a única forma de estarem mais próximos é ocupando o mesmo espaço. É por isso que os Zumbis comem os vivos.
Os Zumbis não pretendem mal direto aos vivos, muito menos através dos olhos. Isso acaba “humanizando” o Zumbi, relegando-os aos filmes-B, como um vampiro malvado. Na verdade, isso faz com que pareçam pessoas maquiadas, ou melhor, cidadãos que foram surrados.
O ingrediente mais importante do Zumbi-Zen é a morte de seus olhos, que pode ser alcançada de várias formas. Pouca expressão nos olhos, um olhar arrastado, ou imaginar uma imagem em sua frente e OBSERVÁ-LA enquanto trabalha como Zumbi. De qualquer forma, uma qualidade de quem NÃO ESTÁ LÁ em seus olhos.
O Zumbi-Zen é unidirecional. Os Zumbis respondem totalmente a estímulos, com a pouca inteligência necessária para virar e perseguir este estímulo. Lembre-se de que a história indica que o T-Virus foi criado como uma arma biológica. Os engenheiros precisavam desenvolver uma unidade que tirasse vantagem da reanimação com o propósito de matar. O perigo é, sendo um ator humano, dar automaticamente características humanas aos Zumbis. Os Zumbis podem detectar movimento, e são atraídos por ele. Podem ouvir sons e são atraídos por eles. Existe uma atração magnética aos humanos.
Quando um Zumbi vê movimento, não sabe o que está vendo. Quando houve sons, não sabe o que está ouvindo ou o que está produzindo os sons. Assemelha-se a um detector de som e movimento. Outro ângulo para se enxergar: como um designer de armas, seus alvos principais são áreas populosas. Pessoas vivas movimentam-se e fazem barulho, por si sós ou com suas industrias. Uma arma atraída por som e movimento faria com que todas as fontes (humanos) cessassem (morressem). Adiciona isso à atração por vida e você tem uma arma bastante assustadora. Esta é uma visão geral. O filme tem uma visão menos, com indivíduos únicos sendo atacados por essa arma.
Voltando à unidirecionalidade, você deve lembrar que um humano se orienta quase totalmente pela visão. Esta função exige o máximo de seu intelecto, num mundo visualmente orientado ao extremo. Se não prestar atenção, você será atingido por um carro, cairá do telhado, baterá seu veículo, etc. Nos concentramos nos objetos e destinos com os olhos por uma questão de eficiência e sobrevivência, a eficiência e precisão de nossas observações determinando a qualidade de nossa sobrevivência. É um pensamento dirigido, arraigado e necessário em todos os humanos. Temos até mesmo leis contra ações que deliberadamente prejudicam a precisão da observação enquanto operando veículos motorizados. Algumas culturas proíbem completamente o consumo de qualquer substancia alucinógena, pois um julgamento/observação alterados leva a atitudes anti-sobrevivência. Tudo isso nos leva a fixar nossa atenção no que está a frente, para podermos ver o que está em nosso caminho e lidar com isso.
Um Zumbi-Zen não tem esse tipo de condição social. Mantém apenas um padrão de movimento. A única razão de mover-se para a frente em vez de mover-se na direção em que o estímulo ocorreu é que a arquitetura do corpo do hospedeiro faz com que mover-se na direção do que está em sua frente é o meio mais eficiente de locomoção. O Zumbi-Zen é unidirecional pois se move em direção ao som e ao movimento como um imã, absorto à orientação mais apropriada do corpo e dos olhos à fonte de movimento. Porém, há um campo de visão regular. A unidirecionalidade entra em cena principalmente pelos olhos, e movimentos acompanhados pelo som. Uma pancada atrás de um Zumbi-Zen inerte faria com que ele se movesse para trás na direção do som, enquanto ajusta-se para maior eficiência (de frente) e algum contato visual.
Um Zumbi-Zen pode e deve rosnar, fazer caras feias, ranger os dentes, estalar-se, etc., mais como uma função do Zumbi do que uma forma de demonstrar maldade. Os Zumbis-Zen na verdade não tem idéia do que estão fazendo. Manobras calculadas, contato visual direto ou perseguir um alvo com os olhos faz com que o Zumbi pareça humano.
O T-Virus está, à sua maneira, tentando sobreviver. É uma arma feita pelo homem, desenvolvida e programada por humanos para executar algumas ações como matar humanos, uma aberração além de seu curso natural se fosse uma forma de vida natural. Há uma teoria interessante no mundo real da fisiologia que diz que as células-t reais são, na verdade, um vírus independente e incorporado no sistema humano por um longo tempo após ter sido um vírus atacante. Ou seja, o corpo humano encontrou uma forma de subjugar o vírus e usá-lo, ou o vírus, após atacar e destruir por algum tempo, chegou a alguma escala evolucionária percebendo que poderia sobreviver melhor se defendesse seu hospedeiro, em vez de matá-lo.
Nosso T-Virus é, então, uma unidade viva tentando sobreviver. Isso não é mal. O que é mal é seu impulso de sobrevivência, se ocupando deliberadamente de formas de vida de maneira totalmente destrutiva para seres humanos. Foi feito pela Umbrella Corporation. O T-Virus é uma mutação genética impensável, pela vontade de seus criadores, assim como seus efeitos.
Há uma razão mais específica para estes Zumbis serem chamados “Zen” ou “Líquido”, estou chegando lá.
A Mãe Natureza cobra seu preço nos Zumbis, de certa forma: a reanimação de um morto quebra o equilíbrio das coisas. O corpo humano animado pelo T-Virus está vivendo um tempo emprestado, onde a Mãe Natureza pode impor alguns interesses. Esse conceito é melhor explicado pelos esqueletos do cemitério que “voltam à vida”. Não têm fluídos nem carne, na verdade não tem nada além de ossos. É aí que o sobrenatural encontra a ciência, e uma explicação deve ser formulada (e foi).
Os Zumbis, um movimento calculado ou não pela Umbrella, sofrem do que pode ser facilmente descrito como uma fome insaciável pela carne dos vivos. Em nossa concepção detalhada para organização e criação de movimentos detalhados para os Zumbis, o RESULTADO é a voracidade em comer a carne dos vivos, a CAUSA sendo uma atração a uma forma de vida determinada, sendo inevitável a conclusão de que os Zumbis tendem a ocupar o mesmo espaço dessa forma de vida. Isso traz a morte da forma de vida sendo comida viva, sangrando até a morte, etc., ou com o T-Virus matando e tomando conta da vitima. Um ótimo trabalho da Umbrella Corp. Essa fome/atração/inquietude podem ser entendidas como o preço cobrado pela Mãe Natureza pelo tempo emprestado.
O conceito de atração, ou afinidade, dos Zumbis pelos vivos funciona como uma polarização, sendo os Zumbis uma forma negativa de vida e os vivos uma forma positiva, atraindo-se. A vida sempre encontra a morte. Porém, a vida tem o poder de mobilidade, vitalidade e força, apesar de limitadas. A morte não tem poder até ganhar vida, sendo esta ilimitada até certo ponto. É por isso que os vivos não são atraídos pelos Zumbis. Os vivos são a polaridade mais forte. Os Zumbis não têm força para resistir a uma intervenção mecânica em sua vitalidade. Para explicar essa lógica, não é a imortalidade dos zumbis que mata os vivos, mas sim o T-Virus mutagênico, que é de certa forma vivo.
A melhor maneira de entender os movimentos que inspiraram os nomes Zumbi “Zen” ou “Líquido” é assistir ao vídeo de nossa pesquisa inicial nos Zumbis.
Se imaginar os Zumbis como água, e a atração pelos vivos como uma força gravitacional, com os vivos estando numa “descida” para os Zumbis, você começa a formar um conceito do Zumbi Líquido. Os Zumbis, como água, tomarão o caminho de menor resistência tentando chegar a fonte de atração. O primeiro aspecto do Zumbi Líquido/Zen é que o corpo Zumbi tenta chegar o mais perto possível dos vivos, não importando a parte do corpo utilizada para isso. O Zumbi não pensa de forma ofensiva. Na verdade, o Zumbi não pensa. Se um alvo vivo agarra os braços de um Zumbi, ele vai mover qualquer parte possível em direção ao vivo. Joelhos, pernas, pés, cabeça, um ombro, uma orelha... como água descendo uma ladeira.
Isso confere uma característica misteriosa e implacável ao movimento dos Zumbis. Ele se move sem parada em direção aos vivos. Na “mente” dos Zumbis, não há o conceito de repulsa ou contra-ataque. Ele simplesmente sabe e precisa estar perto dessa forma de vida. Completamente sem maldade. Visualmente, é a remoção da inteligência humana, da intenção de “Vou te pegar e te matar”. Ao lado da qualidade de “não estar ali”, é assustador.
Somente uma vez que o Zumbi está próximo à vida que ocorre uma mudança. O Zumbi descobre uma barreira impedindo-o de ocupar o mesmo espaço. Esta barreira é a carne do vivo e a carne do Zumbi. Então começa a comer o vivo para encurtar a distancia, saciando essa fome básica e irracional. As células do vivo estão cheias de vida, mesmo que brevemente. Essa mudança transforma um zumbi lúgubre e lento numa piranha voraz, talvez a velocidade não mude, mas uma força desumana é aplicada para levar um membro à boca. Uma horda de Zumbis pressionando um vivo imobilizado, com muitos objetos que dever ser movidos ou removidos para permitir acesso à fonte de atração.
O T-Virus tem a habilidade de aumentar a força. Um halterofilista transformado em Zumbi pode acabar com uma força incrível. Qualquer força muscular executada pelo corpo torna-se hiper-atenuada pelo vírus, assim como as mãos de um pianista, o punho de um boxeador, o andar de uma modelo, etc. Versões mais sutis e profundas podem ser colocadas no contexto geral.
Repetindo, o Zumbi Líquido/Zen não carrega nenhuma das características gerais de sua existência humana. Se você, como você, estivesse andando em direção a alguém para abraçar, e esse alguém de repente coloca a mão em sua testa, isso pára todo seu corpo. Uma série de ações complexas ocorre no corpo para isso, além das condições mentais. “Por que ele fez isso? Foi inesperado”, etc. Você pode tremer levemente seu pescoço com a parada repentina. Um Zumbi Líquido/Zen não seria impedido de forma alguma. Uma mão na testa impediria o movimento imediato da cabeça, mas o peito, dorso e perna continuariam se movendo sem obstrução. As mãos vão para o peito para parar o Zumbi? Seguem a cabeça, braços, pernas, etc. Isso faz com que você seja virtualmente não possa ser impedido, o que é uma qualidade “Líquida” e “Zen”. Um movimento inabalável em direção ao alvo. Sem movimentos calculados, sem estratégia agressiva, sem inteligência. Qualquer ranger de dentes ou “olhar maléfico” é motivado pelo instinto básico de estar perto desta forma de vida, e pode ser entendido ao lembrarmos que o Zumbi é um veículo humano, uma casa, um veículo sendo dirigido por um monte de amebas (organismos capazes de mudar sua forma). É muito básico. Não é mais inteligente que o instinto de consumir. Semelhanças com o que antes foi um ser humano são apenas fantasmas num cemitério.
A qualidade “Zen” aparece quando a força é aplicada a um Zumbi. Mais uma vez, isso é melhor ilustrado no vídeo inicial de pesquisa, e é uma qualidade fácil de entender e aplicar quando assimilada. Caminha lado a lado com a característica Líquida, conduzida pelo conceito de caminho-de-menor-resistencia e pelo conceito simples de ponto de apoio.
No treinamento de Aikidô e Judô, especialmente no primeiro, um dos elementos básicos da filosofia e da prática é a habilidade de pegar a força e redireciona-la, ou deixa-la fluir completamente por você. Parece uma coisa muito “viva”, mas também se aplica a objetos inanimados. Se você chuta uma bola, ela se move na direção daquele vetor até que a energia potencial não possa mais contra-atacar as forças da gravidade, ou até que encontre uma barreira que absorva a energia.
Zumbis Zen não contra-atacam. Por exemplo, se você empurra o ombro de um deles, três coisas acontecem ao mesmo tempo (parece mais complexo do que realmente é, todos entendem isso rapidamente como questão de instinto). O corpo age como apoio, se o ombro direito é empurrado, o esquerdo, se não estiver bloqueado, virá à frente com uma reação oposta. Ao mesmo tempo, o Zumbi Zen pega o que resta desta força que lhe foi aplicada e a aplica em seu corpo, até que o potencial se esgote. A terceira coisa é que a atração pelo corpo do vivo ainda é presente, e essa força é calculada em toda a ação. Funciona como se o Zumbi tivesse “trocado a marcha” e estivesse tentando comer o vivo. O Zumbi pode se tornar mais pegajoso, se preferir. Também, neste exemplo, se um empurrão é dado no ombro de um Zumbi Zen, a manobra de apoio fará com que o outro braço venha rápido o suficiente para que o Zumbi possa agarra o ser vivo antes de deixar o resto da força seguir o seu curso. Se o Zumbi Zen já está no “modo de comer”, a força dissipada funcionará como um contra-ataque.
Com isso, parece fácil repelir um Zumbi, mas junto com as outras características, sela o destino daquele ser vivo desgraçado que está ao alcance. Esse fato aumenta exponencialmente com o número de Zumbis atacando. Sempre vindo em sua direção e nunca atacando ativamente suas defesas, é como lutar contra água.

MATANDO OS ZUMBIS
Existem apenas duas maneiras conhecidas de matar os Zumbis. Quebrando seu pescoço ou atirando na cabeça.
Por isso que a glândula pineal foi escolhida como controle de comando do corpo Zumbi, pois precisávamos de alguma razão para que somente a quebra do pescoço ou um tiro na cabeça “matariam os Zumbis”. A glândula pineal estourada torna-se o centro de comando do corpo Zumbi, e quebrando o pescoço ou atirando na cabeça destrói-se esse centro.

OS ZUMBIS DO CEMITÉRIO
Esta é uma seção especial para os Zumbis que saem dos túmulos na Cena 39. Há algumas qualidades extras para os Zumbis desta cena. Essas qualidades extras podem ser incorporadas ao Zumbi normal, e sua leitura é necessária para um maior entendimento sobre o que rege os Zumbis, além da lógica especial que permeou o trabalho desta cena, para que funcionasse no roteiro.
Os Zumbis do Cemitério são únicos. Corpos reanimados surgindo das sepulturas. Há um grande alcance nas idades dos sepultados. Alguns são corpos com 200 anos, outros são frescos. O roteiro indica aproximadamente 24.
O roteirista descreveu generosamente algumas razões como o T-Virus infiltrou-se nas sepulturas. A clássica: chuva, carregando traços do T-Virus da atmosfera para as sepulturas através da água. A proximidade de uma alta dose de T-Virus em Alice. Uma combinação dos dois anteriores: o suor de Alice, de sua batalha, e a chuva. E o menos provável, uma possível interação dos Lickers. Se são inteligentes o bastante para se disfarçarem de gárgulas, então porque não poderiam entrar nas sepulturas?
Há outra explicação que segue a linha lógica existente, e incorpora alguns elementos da mentalidade da “Colméia”. Essa lógica é um tanto fantasiosa, mas não se esqueça que seu único propósito é facilitar a criação desse movimento detalhado. E consegue-se isso. Os movimentos dos Zumbis, resultado dessa lógica aplicada, são mais plausíveis que a própria lógica.
A teoria é de que o progresso de Raccoon City em tornar-se totalmente Zumbi formou uma espécie de potencial de força Zumbi. Há um total de “energia” Zumbi se acumulando nesta área. Uma dinâmica de grupo sendo executada, uma Colméia se formando. Ou, o T-Virus formando um sistema imunológico de magnitude maior do que o nível celular. Os Zumbis são como células-t de um corpo vivo, esse corpo sendo Raccoon City, e os seres vivos são bactérias hostis a serem combatidas. Um certo poder foi construído, o que Possibilita a ocorrência de algumas coisas aterrorizantes...
A Colméia coletiva dos Zumbis atingiu uma massa crítica em número de indivíduos, e freqüências indesejadas passam a vibrar. O som dos Zumbis, uma onda aterrorizante está fluindo do que quer que seja equivalente à rainha da Colméia, está sendo magnificada pela proximidade do Nemesis ou de Alice, ou está sendo colocada em movimento pelo alto numero de Zumbis. A freqüência vibra no tom equivalente ao T-Virus, ou numa harmônica de vida, enfeitada pelos Mortos. De qualquer forma, algo está fazendo com que os enterrados transformem-se em Zumbis Desenterrados.

Algumas das diferenças em idéias e características destes Zumbis em relação aos Zumbis “normais” são:
- Estes Zumbis não produzem som quando “morrem” pela segunda vez. O único som é o de ossos quebrando, o a quebra do pescoço.
- É uma luta silenciosa COMO NADA VISTO ANTES.
- Mãos apodrecidas saem da terra.
- Uma dúzia de corpos frescos levantam de suas sepulturas. (Quantos não-frescos?)
- Esses Zumbis são mais fortes e rápidos.
- São energizados pela proximidade de carne fresca.
- Assustadores, horripilantes.
- Terri é arrastada para dentro de uma sepultura.
- Mais de uma dúzia de Zumbis saem totalmente de suas sepulturas, o que sugere que alguns NÃO saíram... presos, etc.?
- Os vivos estão completamente cercados pelos mortos.

Os Corpos Zumbis, esqueletos, etc. tem as mesmas características já mencionadas. A diferença que separa o Zumbi do Cemitério do Zumbi normal é uma diferença no grau, e detalhes de sua relação com os vivos.
Os Zumbis do Cemitério são sujeitos a forças definidas e ações hiper-atenuadas pelos vivos. Aqui estão:
[Veja a seção “Habitantes de Necropolis”
na Bíblia dos Mortos.]



Traduzido por: - Evil Shady -
Fonte: REZStuff